A corte não era um dos meus lugares preferidos por culpa da Rainha que obviamente tinha marcação em mim, já que ela achava que eu iria acabar estragando os planos que ela tinha de juntar Lissa e Adrian e agora com esse negócio do meu relacionamento com o Adrian só a fez ficar mais irritada do que antes, mas mesmo assim não questionei.
Escoltei Lissa até o carro que a rainha enviou, olhando por todo o perímetro em que andávamos procurando qualquer humano suspeito ou strigoi.
- Qual o seu problema, Rose? – perguntou Christian sarcasticamente.
- Parece uma gata assustada! – ele disse dando uma risadinha.
- Não idiota, estou apenas fazendo a ronda! – respondi abrindo a porta do carro para que eles entrassem e Ian insistiu que eu fosse logo pra dentro, que esse serviço ele poderia fazer. Ele era extremamente um gato quanto mais um cavalheiro.
A ida até a corte foi silenciosa, encostei a cabeça no vidro do carro tentando apagar as imagens de Mason e Dimitri. Algo ligava esses dois acontecimentos, eu só não conseguia encontrar essa peça do quebra cabeça. Quando olhei para o lado, vi que Ian estava me olhando intensamente, como se ele soubesse exatamente o que eu estava pensando. Ele moveu a cabeça de um lado para o outro, como se dissesse: “Esqueça isso, não é nada de mais.” Isso me assustou muito, mas resolvi olhar novamente para a janela. Ian tinha algo especial, eu sentia que alguma coisa nos ligava, como se a gente se conhecesse por muitos anos. Quando entramos na corte, percebi que ela estava bem movimentada. Pelo visto a rainha decidiu dar uma festa que ela chamava de “jantar”.
Entramos e logo Adrian veio ao meu encontro. Estava vestido casualmente e seu cabelo todo bagunçado, o que eu achava sexy.
- Eu sabia que você ia ficar linda nesse vestido pequena Dhampir. – ele disse no meu ouvido quando me abraçou. Seu perfume era maravilhoso, e suas mãos eram suaves enquanto tocavam meu rosto. Ele deu um sorriso de tirar o fôlego e depois me beijou. Eu retribui o beijo e logo depois me afastei, eu era uma guardiã e não podia me distrair.
- Adrian, obrigada pelo vestido e pelo bilhete. – e dei o meu melhor sorriso, que fazia os homens perderem a respiração. E foi o que aconteceu com Adrian, ele ficou me olhando encantado.
- Você merece. Se você quiser me agradecer, acho que já posso pensar em um jeito… – ele disse com malicia. O dia que ele não tentasse me levar para a sua cama era porque alguma coisa estaria errada. Decidi entrar no seu joguinho.
- E que jeito seria esse? – perguntei sorrindo ainda mais. Adrian avançou um passo e falou suavemente em minha orelha.
- Pequena Dhampir, você sabe que a coisa que eu mais desejo é ter você totalmente. E quando você faz isso, só fica mais irresistível. Acho melhor irmos nos sentar, antes que eu resolva te raptar para o meu quarto. – dito isso, ele pegou a minha mão e me levou até a mesa. A Rainha estava na ponta da mesa, e lançou um olhar de raiva quando nos sentamos. Eu já estava acostumada com esses olhares dela. Ela era uma vaca, sempre tentava nos separar, acho que isso é falta do que fazer… Odiava jantares da realeza, mas isso fazia parte de ser uma guardiã. Lissa e Christian estavam do lado oposto da mesa conversando com alguns morois e Adrian e eu estávamos conversando com outros morois, que eram bem legais. Ele sempre me lançava olhares que possuíam um desejo secreto. Serviram o prato da noite, que era sopa. Eca! Comida de gente rica é estranha, preferia mil vezes um hambúrguer e batatas fritas. Foi então que um guardião entrou na sala, sua expressão ilegível e séria quando entregou um papel para a Rainha que estava comendo sopa. Ela começou a ler o papel e quando terminou de ler, deixou a colher cair no prato e ficou olhando boquiaberta para o guardião.
- Eu não acred… – balbuciou.
- Não pode ser! – disse colocando a mão na boca, horrorizada.
- O que aconteceu tia? – Adrian perguntou com um pouco de preocupação.
Tatiana abaixou o papel e olhou para o guardião.
- As vítimas já estão por aqui? – ela pergunto, era notável o medo em sua voz.
Ele acentiu e disse:
- Os Szelsky que sobreviveram estão por aqui. Temo que apenas Amanda e seus dois filhos que tenham sobrevivido!
- Outro ataque? – Adrian perguntou tão alto que a sala ficou silenciosa, só se escutava o barulho do vento lá fora.
- Como é que é? – falei agora levantando da cadeira.
- Tivemos um ataque de Strigois e vocês nem mesmo me avisaram? – Agora eu estava ficando irritada, Tatiana me olhou com raiva faiscando em seus olhos, sua expressão me dizendo para calar a boca, mas eu a ignorei.
- Quantos e quem foram atacados? – perguntei e ela me olhou por um tempo.
- Acho melhor ela te acompanhar. – sugeriu a Rainha para o guardião, que fez um gesto para que eu o seguisse
“Depois me conta” disse Lissa através do laço, eu assenti e segui o guardião.
- Como está a situação? – perguntei depois de algum tempo caminhando em silêncio.
- Veja você mesma. – disse abrindo a porta de uma sala.
A sala estava abarrotada de guardiões, muitos estavam fazendo telefonemas uns para os outros e outros estavam conversando. A maioria estava com machucados. Reconheci um dos guardiões.
- Guardião Becker. – falei dando um aceno com a cabeça, ele se virou e eu vi grandes hematomas em seu rosto que me assustaram.
- Guardiã Hathaway. – disse e quando viu meu olhar assustado falou:
- Creio que você ainda não esteja sabendo. – havia tristeza em seu olhar.
- O que realmente aconteceu por aqui? – perguntei.
Ele respirou fundo e fechou os punhos.
- Fomos atacados ontem à noite por um bando de Strigois!
- Quantos mais ou menos tinham? – perguntei.
- Eu diria que no máximo uns cinqüenta. – ele respondeu com raiva.
- Não! – disse uma voz irritada, porém conhecida. Os guardiões abriram espaço e Janine Hathaway entrou em meu campo de visão. Seus cabelos vermelhos cacheados estavam presos em um rabo de cavalo que revelava o seu rosto machucado e cheio de hematomas e um olho roxo, ela parecia cansada.
- Tinham cento e três Strigois no total!
- Mãe! – falei indo em sua direção. Eu mal podia acreditar no que eu estava vendo. Janine Hathaway, a guardiã invencível, estava cheia de machucados e muito irritada. Dei um abraço nela e ela gemeu de dor.
- Desculpe! – eu disse.
- Tudo bem. – ela falou. Acho que você não tem noção do que nós acabamos de passar e eu tenho certeza de que esse foi o pior de todos os ataques! – grunhiu irritada.
- O que realmente aconteceu? – perguntei ficando mais nervosa, detesto quando demoram para responder minhas perguntas.
Minha mãe bufou.
- Estávamos apenas fazendo a mesma ronda de sempre quando aqueles bastardos invadiram a casa, nos encurralaram e fizeram a festa!
- O quê? – Gritei. Minha mãe nunca foi uma guardiã que entregasse logo o jogo para um Strigoi, ela sempre foi uma lutadora das melhores.
– Você está me dizendo que deixou aqueles Strigois se banquetearem de vocês? – disse pasma.
Minha mãe parecia que tinha levado um tapa na cara e rapidamente recuperou sua postura.
- Ah sim, você acharia que seria melhor nós sairmos de lá correndo e deixássemos os Morois que estavam dormindo virarem ração para os Strigois! Você nem ao menos sabe como eles eram! – quando ela falou ‘ração de Strigois’ alguns guardiões fizeram caretas irritadas.
- Eram como todos os outros Strigois: olhos vermelhos, pele pálida e presas, além de serem mortos com as mesmas armas! – disse e observei que ela estava ficando vermelha de raiva, seus lábios agora estavam rígidos. Sabia que a estava a irritando, mas não me importei e quando eu fui falar, uma mão foi colocada no meu ombro.
- Deixe ela Rose, Janine precisa se recuperar. – disse uma voz.
Eu me virei e vi que quem estava colocando a mão no meu ombro, era um do nossos antigos professores da Academia, Mikahil Tanner, ou Guardião Tanner como é chamado.
- Guardião Tanner! – falei surpresa e ele me deu um sorriso triste e vi que estava bem pior do que minha mãe, com um braço quebrado e com uma espécie de coleira em seu pescoço.
- Janine eu preciso ver a lista dos que morreram durante o ataque. – ele disse e minha mãe pegou um papel que estava ao lado de um notebook e entregou a Tanner, resmungando algo inteligível.
Eu me esgueirei ao lado de Tanner para obter os nomes em listagem e eram os seguinte:
- Lady Dannielli Szelsky
- Lord Lucius Szeslsky
- Conde Stephen Drozdov
- Condensa Amelie Drozdov
- Criados
Kery Kurtcher
Richard Rinaldi
Louis Tambz
Espera aí! Reli a lista outra vez procurando os conhecidos e me lembrei de duas coisas: Richard Rinaldi era o pai de Mia! Eu não acredito que ela agora havia perdido o pai dois anos depois que sua mãe também fora morta por um Strigoi, acho que já era demais para Mia ter que suportar, devia ser um muito duro para ela e eu já estava começando a pensar em como ela já está sofrendo essa hora. O outro detalhe, é que esse Lord Szelsky já fora mencionado em algum lugar, era um nome familiar para mim.
- Mãe? – a chamei e ela se virou para mim, com um CD na mão.
- Esse Lord Szelsky é o… – falei apontando para o nome, mas já dava pra ver na em sua expressão que esse era o Lord que ela estava protegendo fazia anos e agora estava morto.
- Eu… me desculpe. – falei abaixando a cabeça em um sinal de compreensão.
- Tudo bem. – disse ela colocando o CD no notebook.
- Eu entendo e também temos que seguir em frente.
Eu sentei ao seu lado no notebook.
- O que é isso? – perguntei.
- Os vídeos gravados da câmera momentos antes do ataque, temos que dar uma investigada mais profunda para descobrir quem organizou tudo isso e como eles atacaram. Para podermos nos preparar para futuros ataques. – respondeu dando play.
Era chocante o que se dava para ver, em um momento estava tudo absolutamente calmo, até que vultos começam a passar e gritos surgem logo em seguida. Depois aparecem os guardiões começando a lutar contra os Strigois que estavam ali. E cara, não eram poucos. Eram muitos e pareciam estar bem treinados e comandados por alguém e lá de longe dava pra ouvir os tiros vindo em direção aos guardiões e os Strigois quebrando os pescoços com as distrações, até que depois de toda a “guerra” que durou uns cinco minutos, eu vi um corpo de um Moroi sendo arrastado por dois Strigois até a sombra de uma árvore. E então uma figura preta e muito alta apareceu e torceu o pescoço do Moroi que estava se debatendo e depois se curvou e começou a beber o sangue dele, claro que isso a minha mãe com certeza não viu, ela estava calada e focada no que mais estava aparecendo na tela, ela sendo encurralada por cinco Strigois.
- Se importa se eu voltar um pouco? – perguntei. Minha mãe nada respondeu, sua expressão apenas pensativa e calculista. Voltei onde começava o Moroi sendo arrastado por dois Strigois e aumentei o zoom da tela e comecei a visualizar uma, duas, três vezes, sempre prestando atenção nos detalhes. O cara de preto parecia muito suspeito e isso fez eu ficar com náuseas. Aumentei mais o zoom, logo percebendo que meus pensamentos estavam certos. Não, não poderia ser isso. Seria impossível!
Pausei e observei atentamente o homem de preto e ai o reconhecimento bateu em minha cara, calafrio passou através da minha espinha.
- Oh meu deus, não! – sussurrei com a voz quebrada, não era possível.
“Nesses dois anos fiquei mais forte e com certeza mais esperto” ele havia me dito e dessa vez eu estava acreditando em suas palavras.
Dimitri estava apenas começando a provar do que ele era capaz de fazer e ninguém aqui sabia que era ele que estava por trás de tudo isso, ninguém fazia a mínima idéia.
- O que foi Rose? – minha mãe perguntou. Agora com a voz preocupada e curiosa. Eu engoli em seco e pensei: seria uma boa hora contar tudo para ela. Ela precisava saber quem havia comandado o exército que havia limpado a família Szeslsky e quase a matado, certo? Decidi pegar toda a coragem que tinha e disse:
- Eu sei quem comandou esse ataque e acho que se você olhar mais perto, vai perceber. – e com isso, apontei para a sombra preta na tela do notebook.
Ela chegou mais perto e prendeu a respiração. Minha mãe era uma mulher inteligente e percebeu quem era.
- Dimitri, co-como isso é possível? – ela disse mais para si mesma. Vi guardiões trocando olhares entre si, todos estavam pasmos com a revelação. Cheguei mais perto da minha mãe e falei:
- Será que nós poderíamos conversar em particular?
Ela assentiu e me levou para um escritório. Fechou a porta e se sentou em uma cadeira, exausta.
- Sobre o que você gostaria de falar Rose? – ela perguntou me olhando.
Eu comecei a falar sobre minha relação com Dimitri, da cabana, de todas as ameaças que ele havia feito e principalmente do sonho que tive com ele. Falei tudo, precisava desabafar com alguém. Ela me olhou assustada durante um tempo e depois falou com uma voz preocupada.
- Rose, eu vi do que ele é capaz de fazer. Você tem que tomar muito cuidado, Dimitri não vai parar até conseguir o que quer. Todo mundo corre perigo agora, mas principalmente você. – ela levantou e veio me abraçar.
- Nada vai acontecer, vamos mandar alguns guardiões para a casa de Lissa. Não fique preocupada Rose. – ela disse e percebi que havia medo em seus olhos e esse medo era pela minha segurança. Jamais imaginei que a minha mãe se importasse tanto assim comigo. Ela falou mais algumas coisas sobre segurança e que tinha alguns problemas para resolver. Assenti e fui em direção ao salão onde estava ocorrendo alguns minutos atrás, o jantar da rainha. Adrian veio em minha direção, perguntando se estava tudo bem e eu disse que sim. Não queria assustar os meus amigos. Dei um beijo de despedida e ele falou que amanhã iria me visitar para eu esclarecer a história. O tempo todo Ian ficou calado, me observando. Acompanhamos Lissa até em casa e depois fiz uma ronda para ver se havia alguma coisa suspeita. Não percebi nada estranho, então decidi ir dormir. Tomei um banho bem quente para ver se relaxava e deitei na cama. Logo, fui levada pela escuridão que era bem vinda. Só que o lugar que eu estava não era escuro. Era claro, o céu estava com um azul lindo. Olhei em volta e percebi que estava em um jardim, tudo estava muito silencioso. Havia uma casa com duas portas de vidro e decidi entrar. A casa era enorme, com móveis caros e um ar agradável. Escutei um barulho no segundo andar, subi as escadas e encontrei a fonte desse barulho. Vinha de um quarto e havia uma linha de sangue até a porta. Um arrepio percorreu minha espinha e minha intuição dizia para não seguir em frente. Mas, a curiosidade foi maior e segui em direção a porta. Quando abri, fiquei chocada com a cena que encontrei. Havia corpos e sangue pelo quarto todo, a cena era horrível. Estava tão chocada que só então percebi que conhecia aqueles corpos. Era Christian, minha mãe, Lissa, Adrian, Ian e todas as pessoas que são próximas de mim. Todos estavam mortos, e eu senti uma tontura. A última coisa que me lembro antes de desmaiar foi alguém me pegando pelo colo e me tirando do quarto.