O que aconteceu logo a seguir foi hilário. Rose empurrou Bryan com tanta força que ele quase caiu no chão. Ele me olhou e arregalou os olhos.

- Saia daqui antes que eu mesmo te coloque para fora. – ele não pensou duas vezes e saiu correndo. Covarde, pensei.

Retornei a olhar para Rose e ela respirava com dificuldade. Só então notei o que ela estava vestindo. Rose usava um top e uma calça de ginástica. Meus olhos percorreram o seu corpo inteiro, uma deusa. Mas logo esses pensamentos foram apagados pela cena que vi agora pouco.

- Gostou? – pela sua expressão, diria que ela esta envergonhada por ter sido pega. Mas parece que ela não gosta de admitir ou demonstrar seus sentimentos.

- Da cena que acabei de ver? – retribui com outra pergunta e ela pareceu relutante. Tirei meu casaco e comecei a treinar, ignorando a sua presença.

Se ela queria atenção, isso era a última coisa que iria dar. Mas por dentro queria correr atrás daquele garoto e dar umas boas porradas nele. Quem ele pensa que é para tocar nela? Droga, por que eu estou preocupado com essa garota? Arg!

- Camarada? – o que aquela garota quer comigo?

- Algum problema? – perguntei parando de lutar e ela bufou.

- Precisa ser tão ignorante? Sabe, nós vamos ser parceiros. Então finja pelo menos que gosta de mim.

- Tente ser um pouco mais educada e quem sabe eu passe a mudar de opinião. – respondi e ela avançou na minha direção.

- Quem você pensa que é pra falar comigo desse jeito? – sua mão se fechou em punho e ela tentou me dar um soco. Segurei sua mão e desviei do seu chute.

- Uma pessoa que não atura esses seus ataques infantis. – o que era uma conversa, tornou-se uma luta. Já que ela queria lutar, então iríamos lutar.

Alberta fez um bom trabalho sendo mentora dela. Rose é rápida e ágil nos movimentos. Sabe usar a sua altura em seu favor, já que é baixa. Porém, conseguia prever seus movimentos. Duvido muito que ela andou praticando depois de ter se formado. Aproveitei a falha em um dos seus movimentos e a joguei contra o chão.

- Você ainda precisa praticar seus movimentos. – murmurei e fitei seus olhos. Uma de minhas mãos estava em sua cintura, enquanto a outra segurava o seu braço. A pele dela é macia, do jeito que eu havia imaginado.

- Então acho que já encontrei com quem devo praticar. – ela respondeu e vi que começou a avaliar meu corpo, do mesmo jeito que avaliei o dela anteriormente. Levantei antes que fizesse algo imprudente.

Vesti meu casaco e tentei ao máximo manter meu controle.

- Vai me ajudar a praticar ou não? – ela insistiu. Virei em sua direção e a avaliei por um momento.

Sabia que me arrependeria dessa decisão no futuro, mas agora eu sou o seu parceiro. Tenho que pensar na segurança da princesa, ou seja, preciso ter uma boa parceira de luta.

- Com uma condição. – murmurei e seu olhar ficou cauteloso. – Quero ver você se dedicando nos treinos e principalmente, que não se meta em encrenca. – ela pareceu entender o que eu quis dizer e suspirou.

- Feito. Quando começamos?

- Amanhã bem cedo. – respondi e abri a porta para sair da Academia.

- Hey camarada! Você tem um sotaque estranho. – ela gritou e suspirei.

- Sou russo. – respondi e fechei a porta.

Meu coração batia de forma descompassada. Essa garota me fazia sentir diferente, de um jeito… estranho. Idiota, pensei. Mas as imagens e a sensação do seu corpo no meu não deixavam a minha mente. Comecei a imaginar como seria se minhas mãos tocassem aquele cabelo, aquele corpo… balancei minha cabeça, tentando mandar esses pensamentos para longe. Fui para o restaurante e sentei na bancada, pedi um café.

- Olhos brilhando, postura tensa, tomando café… sinais de que a Hathaway jogou seus encantos em você. – escutei a voz conhecida de Peter. Ele sentou ao meu lado e pediu um café.

- Você parece um expert quando se trata dela.

- Já trabalhei na Academia em que ela estudava. Então obtive muitas informações sobre ela. Mas não tente fugir do assunto. O que aconteceu?

- Nada do que você está imaginando. – respondi e ele riu.

- Seu humor está horrível. – ele comentou.

- Briguei com Anne, encontrei minha parceira se agarrando com um cara na Academia, lutei com ela, agora vou treiná-la. Por que será que eu estou com esse humor? – murmurei ironicamente.

- Vou lutou com ela? – seu olhar se estreitou e ele me avaliou. – Seja sincero. Você já imaginou certas coisas com ela?

- Eu… o que? – perguntei confuso e ele suspirou.

- Ow, cara. Você já imaginou. Duvido que você consiga tocar em Anne sem se lembrar de Hathaway.

- Pare de falar bobagens! Eu jamais trocaria Anne por ela. Só se eu quisesse ganhar chifres, aí sim eu trocaria.

- Não faça suposições antes do tempo. Mas… – ele parou e tomou um gole do seu café. – Conversei com o garoto Ozera, perguntando as novidades. E ele me revelou altas coisas sobre ela. Uma delas é que todos os homens que dormiram com ela, falaram que ela é selvagem.

- E o que eu tenho a ver com isso, Peter?

- Nada, só estou contando o que sei. – ele disse inocentemente.

- Como vai o seu relacionamento com Suze?

- De mal a pior. Quase virei carvão hoje.

- Carvão?

- Suze me convidou para ficar no seu quarto, dizendo que sua família saiu para dar um passeio. Nós conversamos e do nada a conversa foi tomando outro rumo. Quando percebi, estávamos em sua cama, nus. E então… o pai dela entrou. Só sei que foi uma enorme discussão, nunca me vesti tão rápido em toda a minha vida.

- Queria ter visto essa cena. – falei rindo.

- Você ainda vai passar por isso, que ri por último ri melhor. – ele me alertou e tomou outro gole de café. – O pai dela é usuário de fogo. Ele começou a falar que eu tirei a virtude da sua pobre filhinha e começou a tacar fogo pelo quarto todo. Usei minhas habilidades de guardião e pulei a janela. Ainda bem que seu quarto é no primeiro andar.

- Acho que o seu dia foi pior que o meu. – murmurei e ele concordou.

- Mulheres. – falamos juntos.

- Casar deve ser um pesadelo. Imagina ter que obedecer a uma mulher todo o santo dia? Prefiro ser um eterno solteiro.

- Então ai está você. – escutei uma mulher falar e Peter se engasgou com o café.

- Suze? – ele se virando para olhar a mulher.

- Por que você fugiu daquele jeito? Tem ideia do problema em que me meteu? Agora estou de castigo!

- Calma, meu bem.

- Calma? Você quer que eu tenha calma? – ela exclamou e ele nada falou. – Anda, diga alguma coisa. Não fique me olhando com essa cara de santo.

- Podemos conversar depois? Eu tenho que resolver uns problemas com Belikov. – ele me olhou e implorou para eu concordar.

- Alberta quer resolver alguns problemas de segurança. – murmurei.

- Prometo que vou falar com você mais tarde. – ele disse dando um beijo nela e Suze acreditou nele.

- Promete mesmo? – um sorriso surgiu no seu rosto.

- Prometo. Até mais tarde. – assim que Suze se afastou, Peter suspirou.

- Cara, vou ter que fugir dessa mulher. Não quero correr o risco de virar carvão novamente.

- Você me deve uma. – disse e ele me deu um olhar divertido.

- Na realidade, você é quem me deve. E não estou falando da aposta. – pela cara de Peter, sabia que ele aprontou algo.

- O que você aprontou dessa vez?

- Amanhã Alberta vai lhe dar a notícia. – ele pagou o garçom e saiu.